11/20/2005

Uma máscara + uma filmadora + um iPod video = CGM

Sempre tivemos essa "definição" de que propaganda era um negócio feito por especialistas em comunicação, contratados por empresas para vender seus produtos. Venho comentando aqui que fazer propaganda interativa é integrar diferentes formas de mídias e criar experiências para os consumidores. Certo, mas tenho que admitir que existe uma coisa mais forte, mais interativa do que isso, e só descobri um dia desses... Me deparei com uma campanha que leva o conceito de interatividade a um outro nível, ampliando as perspectivas da comunicação. Uma das coisas que me deixa cada vez mais impressionado com a web é a possibilidade de qualquer pessoa (e esse blog é um exemplo disso!) expressar suas idéias para o mundo. Leia quem quiser, concorde com o que quiser, mas o fato é que todos podem se expressar publicamente e interativamente. Agora, imagine isso na propaganda. Imagine que após algum tempo os valores e conceitos de uma marca sejam tão bem transmitidos por suas campanhas que passem a ser de "domínio" de seus clientes. E mais: imagine que os próprios clientes/consumidores utilizem a web para comunicar pela marca. Imagine os consumidores fazendo a propaganda de suas marcas favoritas e divulgando isso na web, fazendo uso de diferentes mídias e criando experiências únicas... não seria a mais pura "propaganda interativa"? Podemos agora parar de imaginar: o primeiro passo já foi dado nessa direção. Adivinha por quem? Burger King. Pois é, eles de novo... Já existe até um nome em inglês para todo esse movimento interativo: CGM (Consumer Generated Media). E detalhe: se não bastasse essa novidade, os caras ainda fizeram isso para rodar no novo iPod Video: a primeira ação para o novo objeto de desejo mundial, apenas 22 dias após seu lançamento.
A CAMPANHA O site de vídeos Heavy.com, destinado ao público jovem que possui banda larga, distribuiu para 25 dos seus mais freqüentes colaboradores máscaras de um rei do hamburger. Essas máscaras foram produzidas pela agência do Burger King para o Halloween desse ano e junto com elas um pedido: façam o que quiserem e mandem os vídeos de volta. Um desses vídeos mostra "o rei" se divertindo em uma lanchonete concorrente. Veja aqui o vídeo. Esso é um grande poder da internet: a democratização da informação. Por meio da web qualquer pessoa com um computador e uma boa idéia pode se tornar um publicitário. É claro que isso é uma grande generalização que eu estou fazendo, temos que desconsiderar o lado técnico, o conhecimento da tecnologia, etc, etc, mas o fato é que é possível. O Benjamin Palmer, co-founder e presidente da empresa de design interativo The Barbarian Group - parceiro para ações on-line da agência do Burger King - disse em entrevista na edição da 04/2005 da Archive que a internet é "distribuição gratuita do que as pessoas pensam de melhor, o que é espetacular. Não é como a indústria fonográfica, que você entrega as coisas em caixas, as pessoas controlam a distribuição. A internet possibilita qualquer pessoa falar com o mundo inteiro". Que outro meio pode proporcionar isso de forma tão... simples? ==================================== Mais informações sobre a campanha? - Adweek - Adfreak.com A agência que criou a ação não foi a Crispin Porter + Bogusky, e sim a VML, responsável pela loja virtual do Burger King. ====================================

3 Comentários:

Anonymous Ricardo Guimarães disse...

Muito bom Rapha. Em conversas passadas conseguimos imaginar ações como essa tomando forma...não podemos perder esse trem.

abraços

22/11/05 16:44  
Anonymous Bruno disse...

Bacana. Este tipo de revolução vai tomar conta da publicidade, do jornalismo e em algum tempo o mundo será uma grande fonte geradora e consumidora de conteúdo ao mesmo tempo. A informação deixa de nascer de centros detentores e vem de todos os lugares. Vejam como exemplo a matéria da última exame falando do Google. Aproveitando, gostei do blog.

22/11/05 16:53  
Anonymous Marco Gomes disse...

Veja você, é a "Web2.0" da publicidade.

Ou seja, os usuários deixam o papel 'passivo' (apenas consumidores) e passam também a produzir o conteúdo, pelo jeito o mesmo será na publicidade.

Unindo o fator de geração de conteudo colaborativo da web2.0 com a propaganda interativa teremos um monstrinho bem dificil de adestrar hein!? Vai ser (está sendo) divertido.

22/11/05 19:16  

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